Arquitetura comercial em Brasília: como a cidade molda bares, restaurantes e lojas

Balcão de bar revestido com placas de sinalização de trânsito, luz vermelha, prateleiras de copos e globo espelhado

Lucio Costa organizou o Plano Piloto em quatro escalas: monumental, residencial, gregária e bucólica. Quem faz arquitetura comercial em Brasília lida todos os dias com pelo menos duas. A escala residencial abriga o comércio local entre as superquadras. A gregária reúne os setores centrais, onde ficam o comércio, os bancos, os hotéis e as diversões. Um bar numa entrequadra e um bar no Setor Comercial Sul ficam a poucos quilômetros um do outro. Mesmo assim, atendem cidades diferentes, com público, horário e regras urbanísticas próprios.

Arquitetura comercial em Brasília começa por essa leitura. Antes do revestimento e da paleta, o projeto precisa entender que pedaço da cidade está ocupando, quem passa por ali e a que horas, e o que a legislação daquele lote deixa fazer.

Arquitetura comercial em Brasília numa cidade tombada

O Conjunto Urbanístico de Brasília foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial em 1987, tombado pelo IPHAN em 1990 e pelo Governo do Distrito Federal em 1991. O tombamento é essencialmente urbanístico: protege a concepção da cidade, suas escalas e seus vazios. Por isso, a arquitetura comercial em Brasília trabalha dentro de parâmetros de uso e ocupação definidos para preservar esse conjunto, sobretudo quando a obra toca área pública, fachada ou volume.

Trato essa moldura como o primeiro dado do programa. A fachada repetida dos blocos comerciais, a marquise, o gramado da superquadra: um bom projeto conversa com eles e tira partido deles, porque o cliente de Brasília reconhece a cidade em que está.

Comércio local: loja pequena, vizinho perto

A loja padrão do comércio local da Asa Sul tem 35 metros quadrados, medida citada pela Associação Comercial do Distrito Federal em debate na Câmara Legislativa. É pouco para um restaurante e suficiente para uma operação enxuta, desde que o projeto resolva bem estoque, cozinha e atendimento num espaço curto. Quando a operação precisa crescer, ela cresce para os fundos do bloco, sobre a área pública, e entra no terreno da Lei dos Puxadinhos, que detalhei em Puxadinho na Asa Sul e na Asa Norte.

O comércio local tem uma vizinhança imediata, que mora a poucos metros e frequenta, reclama e defende o lugar. Bar de entrequadra que ignora o bloco residencial em frente arruma briga com a própria clientela. Acústica, luz e o desenho da área externa entram no projeto como parte da relação com quem mora ali.

Os setores centrais e a questão do horário

Nos setores da escala gregária, o problema é outro. A setorização separou funções: o Setor Comercial Sul para escritórios e comércio, o Setor Hoteleiro para hotéis, o Setor de Diversões para o lazer. O movimento passa a depender do ritmo da atividade dominante, e um setor de escritórios esvazia quando o expediente acaba. Para um bar ou restaurante nesses endereços, o projeto precisa dar motivo para alguém ficar ou chegar depois das seis da tarde. A rua não entrega esse público sozinha.

O Setor Hoteleiro mostra o caso com nitidez. Faltam ali bar, restaurante e comércio misturados aos hotéis, e as ruas esvaziam à noite. O Hotel Nacional, com sua galeria comercial na base, guarda o modelo em que hospedagem e cidade se tocavam. Por isso defendo o bar de hotel como ponto de referência urbana, aberto a quem não está hospedado. O turista dorme no hotel, e a experiência de Brasília começa quando ele desce.

O que a arquitetura comercial em Brasília precisa resolver

O primeiro passo é o licenciamento, que no Distrito Federal começa pela viabilidade de localização, antes mesmo do contrato de aluguel. A ordem completa entre ponto, projeto, obra, Bombeiros e Vigilância Sanitária está em Como abrir um bar ou restaurante em Brasília.

Depois vem a pergunta que mais me interessa como arquiteto e sociólogo: quem esse espaço convida e quem ele deixa do lado de fora. A altura do balcão, a distância entre as mesas, o que se vê da porta e a intensidade da luz comunicam, antes de qualquer cardápio, para quem aquele lugar foi feito. Projeto comercial bom escolhe esse público com intenção e desenha para ele. Falei sobre isso em três desafios de bares e restaurantes que a arquitetura pode resolver e em como a iluminação pode aumentar o consumo em bares e restaurantes.

Sobre o Studio Inquieto

Sou Marcelo Teixeira, arquiteto e sociólogo, com doutorado pela UnB e quase três décadas de prática, incluindo várias participações na Casacor. Trabalho com arquitetura comercial em Brasília, incluindo interiores, com foco em hospitalidade, gastronomia e vida noturna. Antes de desenhar bares para outras pessoas, tive o meu: um bar de coquetelaria premiado em 2019 com a Melhor Carta de Drinks de Brasília pela revista Prazeres da Mesa.

Veja o que faço, conheça os projetos ou fale com o Studio. A conversa pode começar pelo endereço que você está considerando e pela planta da loja, com as medidas do jeito que estão hoje.

O que faço

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Bares, restaurantes, hotéis, clubes e espaços comerciais. Também consultorias para quem precisa de uma análise antes de investir.

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